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Proporção de crianças com celular cai; segurança é motivo mais citado
Faixa etária de 10 a 13 anos é a única que registrou recuo em 2025
02/07/2026 10h35
Por: Redação Fonte: Agência Brasil

A preocupação com privacidade e segurança se consolidou como principal motivo para evitar que crianças e adolescentes tenham telefone celular. É o que mostra o módulo temático sobre tecnologia da informação e comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado nesta quinta-feira (2), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No ano passado, a proporção de crianças de 10 a 13 anos que tinham o aparelho caiu pela primeira vez, desde que a pesquisa começou a ser feita em 2016. O IBGE identificou que 55,2% dos brasileiros nessa faixa etária tinham celular, um recuo de 1,5 ponto percentual na comparação com 2024.

A principal explicação para essa queda pode estar entre aqueles que ainda não têm celular. O motivo mais alegado foi a preocupação com privacidade e segurança , indicada por 32% dos responsáveis, 7,8 pontos percentuais a mais do que em 2024. A série histórica mostra ainda que essa proporção quase dobrou desde 2022.

Naquele ano, o principal motivo alegado pelos pais para que os filhos dessa faixa etária não tivessem celular era o preço elevado do aparelho, seguido pela falta de necessidade e pelo fato de que essas crianças já usavam o celular de outra pessoa. A preocupação com segurança e privacidade aparecia apenas em quarto lugar.

O analista do IBGE Gustavo Fontes destaca ainda que o grupo de 10 a 13 anos foi o único que registrou queda na posse de celular em 2025. Nas outras faixas etárias, o crescimento se manteve, fazendo com que esse uso alcançasse 89,8% da população em geral.

"A gente tem visto cada vez mais uma preocupação com a segurança das crianças, com a exposição delas nas redes sociais, por exemplo. A gente teve também em 2025 uma restrição ao uso de celulares nas escolas", avalia Fontes.

Outro dado da pesquisa que fortalece essa avaliação é a ligeira queda no acesso à internet nessa faixa etária, independentemente do aparelho utilizado, de 84,9% para 84,4% . Entre as crianças que se mantêm desconectadas, o principal motivo alegado é a falta de necessidade, mas a preocupação com privacidade e segurança aparece em segundo lugar.

Novamente, este foi o único grupo etário a registrar queda, mas a pesquisa também identificou uma estabilidade entre os adolescentes de 14 a 19 anos. Considerando a população geral, o uso da internet subiu de 89,2% para 90,5%.

Idosos

Outro destaque da pesquisa é o avanço da tecnologia entre os idosos. Em 2025, 74,5% dos brasileiros com mais de 60 anos utilizavam a internet, um aumento de 4,4 pontos percentuais em comparação com 2024 e de mais de 29 pontos em relação a 2019. A proporção dos idosos que têm celular também cresceu de 78,3%, em 2024, para 80,3%, em 2025.

Nos dois casos, a análise dos idosos que ainda não estão conectados mostra uma situação diversa da verificada entre as crianças. O principal motivo apontado é não saber utilizar a internet e o celular.

Mas, como destaca o analista Gustavo Fontes, é cada vez mais difícil viver fora da rede. "A internet está cada vez mais inserida no cotidiano. Muitos serviços hoje são feitos pela internet, então existe um certo estímulo para os idosos buscarem utilizá-la."

Essas diversas utilidades também aparecem na pesquisa. Em 2025, 74,2% das pessoas acessavam bancos ou outras instituições financeiras pela internet, por exemplo, uma alta de 14,4 pontos percentuais com relação a 2022. O acesso a serviços públicos pela rede também subiu de 33,2% para 41,1% no mesmo período.

Além disso, no ano passado, pela primeira vez, mais da metade da população conectada declarou que compra ou encomenda bens ou serviços pela internet. A proporção, que era de 47,9%, passou para 52,7%.

Entre as 12 funcionalidades pesquisadas, a mais frequentes é "conversar por chamadas de voz ou vídeo", hábito de 95,3% dos brasileiros que usam a internet. Em seguida, vêm "enviar mensagens de texto, voz e imagens por aplicativos", declarado por 90,2%, e "assistir vídeos, incluindo programas, filmes e séries", algo feito por 89,3% da população.