
Para milhares de brasileiros que vivem nas margens dos rios, a navegação interior é o principal meio de acesso a alimentos, medicamentos, serviços públicos e oportunidades de trabalho. Em regiões onde o transporte terrestre é limitado, os rios funcionam como verdadeiras vias públicas. Qualquer mudança nas condições naturais, seja durante a seca ou no período de cheias, afeta diretamente a rotina das populações ribeirinhas e o abastecimento das cidades.
Nas regiões Norte e Centro Oeste, onde as distâncias são longas e a presença de estradas é reduzida, garantir rotas fluviais seguras e navegáveis ao longo de todo o ano é uma responsabilidade permanente do Estado. É nesse contexto que o planejamento hidroviário se consolida como uma política pública estruturante, voltada à proteção de quem depende da navegação interior e ao funcionamento das cadeias produtivas regionais.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, planejar as hidrovias é garantir segurança, previsibilidade e proteção para quem depende dos rios no dia a dia. "É uma política pública que organiza o uso do território, reduz riscos, assegura o abastecimento e amplia o acesso a serviços essenciais”, destacou.
Navegação como política pública
O Planejamento Hidroviário Nacional orienta a atuação do poder público de forma preventiva, com base em estudos técnicos, monitoramento contínuo e análise das condições naturais dos rios. O objetivo é reduzir riscos, organizar o uso das hidrovias e assegurar condições adequadas para a navegação interior, especialmente nos períodos mais críticos do ano.
Essa atuação envolve diferentes instituições federais, com atribuições bem definidas. O Ministério de Portos e Aeroportos responde pelo planejamento e pela definição de diretrizes e prioridades para o setor, a Marinha do Brasil atua na regulamentação e na segurança da navegação e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) executa obras e serviços necessários à manutenção da navegabilidade dos rios. Já a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) regula e fiscaliza o setor, promove consultas públicas e protege os usuários do transporte aquaviário.
Essa divisão de responsabilidades garante segurança jurídica, transparência e controle público sobre as ações realizadas nas hidrovias brasileiras.

Dragagem de manutenção e concessões
Entre as ações voltadas à segurança da navegação está a dragagem de manutenção, um serviço técnico que consiste na retirada de sedimentos acumulados naturalmente no fundo dos rios. A medida não altera o curso do rio nem promove aprofundamento permanente do leito. Seu objetivo é manter a navegabilidade em trechos já utilizados pelo transporte fluvial.
Com o avanço dos estudos para a modernização da navegação interior, o tema das concessões voltou ao debate público. Trata se de um instrumento pelo qual o poder público autoriza, por tempo determinado, a prestação de serviços específicos, sob regras claras, fiscalização permanente e controle do Estado. O rio permanece como bem público da União, e a atuação do concessionário se limita às atividades previstas em contrato.
“No setor hidroviário, concessão não é privatização do rio. É uma forma de organizar serviços para garantir mais segurança na navegação e assegurar transporte regular, abastecimento e acesso a serviços públicos para comunidades ribeirinhas, sempre com controle do Estado”, afirma Otto Luiz Burlier, secretário nacional de Hidrovias e Navegação.
Planejamento e transparência
O Plano Geral de Outorgas (PGO 2023) , elaborado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e aprovado pelo Ministério de Portos e Aeroportos, definiu seis hidrovias como prioritárias para estudos de concessão. São os rios Madeira, Tapajós, Tocantins e Paraguai, além da Barra Norte, conhecida como Hidrovia Verde, e da Lagoa Mirim, no Rio Grande do Sul.
O calendário de projetos hidroviários dá transparência ao planejamento do governo e indica quais iniciativas estão em fase de estudo, sem decisão ou execução imediata. A eventual inclusão de um projeto no Programa Nacional de Desestatização (PND) não representa concessão automática. Ela apenas sinaliza que o projeto foi considerado prioritário e passará por análises técnicas.
A partir dessa etapa, têm início os estudos detalhados e o diálogo com a sociedade, por meio de consultas públicas e mecanismos de controle. Somente após esse processo um projeto pode avançar para a publicação do edital, a realização do leilão e a assinatura do contrato.
Próximos passos
A Hidrovia do Rio Paraguai, Tramo Sul, é o projeto mais avançado e deverá ser o primeiro a ter edital publicado, com previsão para o primeiro semestre de 2026. Com cerca de 600 quilômetros em território brasileiro, a hidrovia é estratégica para o escoamento de cargas no Centro Oeste. O projeto abrange o Tramo Sul, o Canal do Tamengo e as infraestruturas associadas, no trecho entre Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e a foz do Rio Apa.
As hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós seguem em fase de estudos e modelagem, com previsão de avanços ao longo de 2026. A Hidrovia Verde permanece em desenvolvimento, com foco em um modelo sustentável e alinhado às características ambientais da região.
Com planejamento técnico, coordenação institucional e transparência, a navegação interior tende a se tornar mais segura, regular e previsível, reforçando o papel do Estado na proteção das comunidades ribeirinhas e no atendimento das populações que dependem dos rios em todo o país.
Assessoria Especial de Comunicação Social
Ministério de Portos e Aeroportos
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